Na falta de goleadores, meias dominam artilharia do Brasileirão

Bruno César, do Corinthians, e Elias, do Atlético-GO, assumem o papel de ‘armadores matadores’ em campeonato com pior média de gols

Goleadas? Artilheiros matadores? Futebol ofensivo? Nada disso prevaleceu no primeiro turno do Brasileirão de 2010. Com a pior média de gols desde o início da era dos pontos corridos (2,46 por partida), esta edição do campeonato ainda é marcada por outro aspecto curioso: os jogadores que mais vezes balançaram as redes adversárias não são atacantes, são meio-campistas.

MONTAGEM - Elias atlético-go e Bruno Cesar corinthians
Elias, do Atlético-GO, e Bruno César, do Corinthians, são os artilheiros, com nove gols

Bruno César, do Corinthians, e Elias, do Atlético-GO, são os principais goleadores do Brasileirão, com nove gols. Ambos atuam como meias, armadores, e tiram de cena nomes que são esperados no topo da artilharia, como Kleber, Neymar, Diego Tardelli, Washington, Borges, Alecsandro, Fred, Ronaldo…

MÉDIA de gols por ano no brasileiro
ANO
MÉDIA DE GOLS
2003 2,89
2004 2,78
2005 3,13
2006 2,71
2007 2,76
2008 2,72
2009 2,88
2010 2,46

Fato que, historicamente, se torna ainda mais curioso: o último meia a encerrar o campeonato nacional como artilheiro foi ninguém menos que Zico, em 1982, pelo Flamengo (com 20 gols). Desde então os matadores foram todos atacantes, que apenas cumpriam a sua missão (Rodrigo Fabri, artilheiro de 2002 pelo Grêmio, é meia-atacante, mas atuou como avançado no time Tricolor na maior parte do campeonato). A semelhança do Galinho com os dois jovens? Apenas a liberdade de poderem jogar mais soltos, livres para avançar para o ataque, vindos de trás.

– Os treinadores pelos quais passei sempre pediram para eu entrar mais na área. O diferencial é que a bola está sobrando, estou me posicionando bem. É minha característica. O Adilson (Batista), assim como o Mano (Menezes), pede isso, já que, sem o Ronaldo ficamos sem atacante de referência na área. Já tive oportunidade de jogar com o Elias nas categorias de base do Bahia. Ele tem característica parecida com a minha, de estar sempre chegando mais para o ataque – explicou Bruno César.

A tática tem funcionado. Em um time que o principal centroavante ficou fora a maior parte do campeonato e em que os outros atacantes não parecem estar de bem com as redes, as chances acabaram mesmo sobrando para o bom cobrador de falta, de 21 anos.

– A sensação é muito boa. Por eu ser um meia e ser artilheiro, junto com o Elias, que também é um meia, é algo diferente. Afinal, não estão sendo só os atacantes a marcar, estamos aproveitando as chances – afirmou o camisa 10 alvinegro.

– Fico feliz, muito alegre de viver essa boa fase, de ser artilheiro. Tenho objetivos na minha vida e esse é um. Para ser artilheiro, tenho que fazer gols e com isso vou ajudar o Atlético – comemorou Elias.

NUMERO DE GOLS DOS ARTILHEIROS DO PRIMEIRO TURNO
ANO
JOGADOR (CLUBE)
NÚMERO DE GOLS
NÚMERO DE RODADAS
2003 Dimba (Goiás) 17 23
2004 Alex Dias (Goiás) 15 23
2005 Fred (Cruzeiro) e Marcinho (São Caetano) 13 21
2006 Dodô (Botafogo) 9 19
2007 Josiel (Paraná) 12 19
2008 Alex Mineiro (Palmeiras) e Kléber Pereira (Santos) 11 19
2009 Adriano (Flamengo) 10 19
2010 Bruno César (Corinthians) e Elias (Atlético-GO) 9 19

A marca dos dois meias não serve de tanto orgulho assim, se comparada com as outras edições do Nacional: se iguala à pior de todas, de Dodô, em 2006, pelo Botafogo. Em 2010, atrás de Bruno César e Elias, aparece Jonas, do Grêmio, com oito, seguido por Emerson, do Fluminense, com sete.

Alecsandro gol Internacional
Alecsandro, do Inter, quer correr atrás do tempo perdido

Lesões, suspensões, azar, má fase…

O começo de campeonato não foi positivo para os matadores nacionais. Artilheiros de 2009, Adriano deixou o Flamengo para o Roma (ITA), enquanto Diego Tardelli, além de ter sofrido com lesão, não tem tido boa sorte para por a bola nas redes. Marcou apenas seis gols até agora.

Ronaldo? Fred? Lesões de longa recuperação afastaram os centroavantes dos gramados por muito tempo, tirando as esperanças de corintianos e tricolores em seus ídolos. Neymar, apesar de seguir se destacando no Santos, não atropelou os adversários com goleadas como durante a Copa do Brasil, e segue com discretos seis gols; mesma situação de Kleber, do Palmeiras, que admite não ver a artilharia como meta.

– Acho que estou na briga, e o que facilita eu estar nessa condição é a qualidade do time do Palmeiras e o fato de eu estar jogando mais enfiado na área, bem próximo do gol. As chances têm aparecido e eu estou tentando aproveitar. Não vejo a artilharia como um objetivo, mas é claro que é sempre bom fazer gols e principalmente ajudar o time a vencer – destacou o jpgador alviverde.

Um dos principais candidatos à artilharia, que teve um início de campeonato meteórico, acabou tendo o azar de sofrer uma lesão que o tirou de cena. Alecsandro, do Internacional, atuou em oito partidas, marcando seis vezes. Era o artilheiro, até sofrer uma lesão em meados de agosto, que o tirou inclusive da decisão da Libertadores.

– Este ano eu acreditava que brigaria pela artilharia, fiquei na disputa até o final ano passado. Fiquei triste com a minha saída, eu vivia um momento muito bom, era o artilheiro do Brasileiro, ia jogar uma final de Libertadores. Mas, temos sempre que pensar na frente. Os médicos calculam a minha volta para o dia 22 (de setembro), mas estou treinando dois turnos e acho que com meu esforço vou acabar voltando antes. Afinal, o pessoal já está se distanciando (risos) – afirmou o atacante colorado.

Val Baiano Flamengo x CorinthiansVal Baiano não marcou ainda nenhuma vez pelo
Flamengo

‘Não tem como desaprender a fazer gols’. Será?

Apesar do esforço, não adianta: as bolas não entram. Enquanto o vice-líder Corinthians tem o melhor ataque (34 gols) com um jogo a menos, o seu algoz da Libertadores, o Flamengo (14º colocado, 22 pontos), tem o pior, disparado: apenas 14. Para deixar a situação do Rubro-Negro ainda pior, seus atacantes não marcam há nove jogos, desde o dia 21 de julho. A esperança cai sobre os recém-chegados Diogo e Deivid, já que Val Baiano, Cristian Borja, Leandro Amaral e Diego Maurício não deram conta e foram para a reserva.

– Alguns atacantes estão com falta de sorte, o time não vem em fase boa. Não tem como desaprender a fazer gols. Acredito que o artilheiro vá ser um atacante, e não um meia. Os meias fazem gols, lógico, mas é diferente dos homens de frente são diferentes. Tem uma hora que os meias param (de marcar), que não é a função deles. Tardelli, Fred, Ewethon, Dagoberto, são todos jogadores que podem se recuperar. Ainda acredito nos nossos atacantes – completou Alecsandro, do Inter.

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